Eu tenho um problema patente. Você já deve ter notado pela quantidade de caracteres que escrevo. Posso até seguir as regrinhas que o Jornalismo exige para escrever objetivamente, mas na minha língua mando eu e não economizo quando quero falar. Até mesmo quando não quero. Falo pelos cotovelos e os homens tem problemas com as mulheres que falam demais. Aliás, não sou tagarela, diria que sou uma pessoa comunicativa. Neste caso, o Luis é completamente o oposto. Não que isso me incomode, tá bem, isso me incomoda; sabe como é, não é legal ouvir única e exclusivamente sua voz ecoando pela casa, e me frusta o fato de conseguir dele sempre um mísero e sonoro "uhum". Até que isso me tira do sério e eu pergunto:
- Amor, eu falo demais, né? Pode dizer.
- Não, você é expressiva. Como toda mulher, gosta de falar.
- Como assim, como toda mulher? Como assim, gosto de falar?
- Lá vem você com as armadilhas. Dependendo do que eu responder, ficará chateada e como castigo, me fará escutar um sermão daqueles...
- Viu, você está jogando na minha cara que eu falo demais. É isso, os homens, muito analíticos, não sabem se expressar, e criticam a nós mulheres que expomos em detalhes o que pensamos...
- Uhum.
- Ahh, viu só como tenho razão!
- Tá bom, então vou tentar te contar novamente a intensão do George Lucas quando escreveu Star Wars...
- Nem fudendo! A partir de hoje está decretado nesta casa que o gênero masculino terá a liberdade de dizer apenas uhum quantas vezes desejar, na condição de jamais explanar a intensão do George Lucas e de qualquer outro membro de Star Wars. Combinado?
- Uhum!
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Como odiar um homem em 10 passos
Mulheres! Em uma conversa bem de luluzinha com minhas colegas de trabalho, cataloguei as 10 gafes mais cometidas pelos homens. Nunca pensei que fosse tão fácil odiar o homem que você considera ser o amor de sua vida...1. Ele sugere rachar a conta em todas as saídas, porque diz que você está dando muitas despesas.
2. Ele diz que esqueceu a carteira e pede pra você pagar a conta, "depois a gente acerta", promete.
3.Diz que vai economizar no presente do seu aniversário, porque senão não dará para comprar a playstation junto com os amigos dele.
4. Você passa 4 meses planejando as férias, pesquisando preços, lugares, hotéis, sem a ajuda do seu namorado, claro. Finalmente você consegue um hotel de preço razoável (que inclui massagem, pensão completa, de frente para o mar!) e ele, dias antes da viagem, sugere acampar (obviamente vocês não tem barraca).
5. Além dos seus parentes, você tem que recordar das datas de aniversário dos parentes dele, comprar os presentes sozinha e claro, bancar a dívida toda.
6. No supermercado você pesquisa os preços, compra o que está de promoção, consume marcas secundárias no intuito de economizar. Ele enche o carrinho com besteiras que te farão engordar e pior, diz que o cartão dele está estourado, "depois a gente racha", promete novamente.
7. Suas amigas mostram as fotos das férias que tiveram no Club Med do Caribe e você não consegue evitar a amarga lembrança dos mosquitos te comendo viva no acampamento, enquanto seu namorado tentava fazer fogo para cozinhar o miojo com salsicha.
8. Você pede dinheiro emprestado para seu namorado e ele diz que você tem dificuldade econômica porque compra muita roupa.
9. Você pinta o cabelo de loiro porque sabe que ele gosta de loiras e ele diz que você não ficou bem com aquele cabelo.
10. Você o procura para transar e ele diz que está com dor de cabeça, estressado e que você tem que ser compreensiva.
PS: O Luis pede para esclarecer que ele não comete as 10 gafes descritas acima, rsrs.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
"Causa honoris"
Se temos strippers, animadores de festa e lavadores de defunto, porque não categorizar os seguradores de vela? Essa gente solitária, facilmente identificada em uma balada ou num barzinho romântico, realmente merece o nosso reconhecimento! Ou você pensa que é fácil escutar os estalidos do casalzinho meloso, enquanto num sorriso forçado você tem que dizer para a amiga “está tudo bem”?
Imaginem o sofrimento do/a vela quando sai com a galera (todos casais, lógico) e num ato de piedade (um tanto estúpida) lhe é apresentado um “amigo/a” para que não passe a noitada sozinho/a. Agora, o foda mesmo é quando o cara (ou a mina) é feio/a e tímido/a e durante toda a porra da noite só consegue balançar a cabeça e gemer um “que música boa, né?”. Enquanto ocorre essa cena grotesca, os amigos do/a vela se pegam euforicamente, graças ao maldito e belo refrão daquela musiquinha dos infernos do Jorge Vercilo, e o/a vela assistindo tudinho, apenas assistindo.
É por esses e outros nobres motivos que devemos demonstrar compaixão para com os/as velas, gente querida por todos nós que, ainda no fim da noite, são obrigados/as a escutar a maravilha de noite que tivemos ao lado de nossos respectivos amores.
Imaginem o sofrimento do/a vela quando sai com a galera (todos casais, lógico) e num ato de piedade (um tanto estúpida) lhe é apresentado um “amigo/a” para que não passe a noitada sozinho/a. Agora, o foda mesmo é quando o cara (ou a mina) é feio/a e tímido/a e durante toda a porra da noite só consegue balançar a cabeça e gemer um “que música boa, né?”. Enquanto ocorre essa cena grotesca, os amigos do/a vela se pegam euforicamente, graças ao maldito e belo refrão daquela musiquinha dos infernos do Jorge Vercilo, e o/a vela assistindo tudinho, apenas assistindo.
É por esses e outros nobres motivos que devemos demonstrar compaixão para com os/as velas, gente querida por todos nós que, ainda no fim da noite, são obrigados/as a escutar a maravilha de noite que tivemos ao lado de nossos respectivos amores.
sábado, 12 de setembro de 2009
Amor de 8 minutos
Sem pensar muito no conceito "amor", posso dizer que já tive amores de minutos, horas, dias, meses e anos! Não cabe a mim falar de todos. Aqui tratarei apenas de um que durou 8 minutos. Possivelmente, alguém se identificará com o que relatarei agora.Era uma manhã pedante e fria. Estava sentada no inóspido banco do metrô, quando ele venceu a enorme barreira humana parando logo ali, na minha frente. Meu sono matinal não permitiu identificá-lo entre a multidão, até que escutei sua voz que respondia ao celular.
Fiquei tão encantada que passei a observá-lo com mais curiosidade. Claramente ele percebeu o meu olhar e não sei que diabos deu em mim que lhe dei um sorriso. O rapaz ficou corado imediatamente. Mas estava tão delicioso flertar com aquele desconhecido que já não me importavam os pudores.
Sabíamos que a cada estação alcançada o nosso tempo diminuía, então, desfrutávamos daquilo que nos restava. Já éramos cúmplices. Meu coração batia forte, a respiração estava ofegante e sabia que com ele não era diferente. Finalmente, alguém desocupou um banco e ele sentou exatamente de frente para mim. Confesso que senti vergonha, mas a aventura de me apaixonar por um desconhecido e demonstrar o que sentia era tão irresistível que...deixei me levar pela situação.
Nossos olhos questionavam, "você tem alguém", "onde mora", "a gente daria certo", "será que beija bem", "seríamos felizes", "com quem nossos filhos se pareceriam"...uma infinidade de perguntas inúteis, pois nenhum dos dois se atreveria jamais a perguntar ao menos o nome. Faltavam 3 estações para a última. Nos sentíamos tristes: estávamos apaixonados e era fato que o nosso amor estava prestes a terminar.
Sabia que nunca mais veria aqueles olhos azuis, rosto tímido e mãos delicadas que destoavam com o corpo atlético de mais de 1,80m. Sutilmente, vi que ele tentava descobrir o meu decote, coberto pelo cachecol. Como quem sentia calor, me abanei com o pedaço de pano, fazendo aparecer uma singela curva do vulto desejado. Um sorriso me foi devolvido e num silencioso adeus nos despedimos.
Chegamos. Ajustando os papéis que tinha nas mãos pude ver que era advogado (ok, ninguém é perfeito). Como bom cavalheiro, esperou eu deixar a porta para depois sair. Olhei para trás na esperança de conseguir outro sorriso, um um aceno, mas entre aquele mosaico de gente éramos novamente dois estranhos e o nosso amor se desvaneceu para sempre naquele momento.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A morte do príncipe encantado
Toda sua vida foi idealista, principalmente quando o assunto era homem. Reconhecia que príncipe encantado era coisa ultrapassada, mas quem disse que isso a afetava. Suas amigas a indagavam se aquilo era tipo ou se realmente pensava assim. Por mais que confirmasse sua convicção, não era o suficiente.Os comentários maldosos pouco importavam, o que ela gostava mesmo de fazer era encostar a cabeça no travesseiro e imaginá-lo: loiro? careca? moreno? magro? alto? gordo? baixo...
E de tanto insistir nesse negócio de amor à antiga, não é que ela encontrou o tal príncipe! Um sujeito boa praça, prestes a formar-se em Direito, falava três idiomas e era rico! Não pensou duas vezes e se atirou de braços abertos à exploração de seu novo reino.
Todos os dias se encontravam. E quando isso não era possível, a vida lhe era impossível e insuportável para quem convivia ao seu lado. Era desses amores que causava náuseas, principalmente nas amigas que não tiveram a mesma sorte que a sua.
Passam meses, alguns anos e veio o casamento. Era realmente uma princesa ao lado de seu príncipe. Mas como toda a história de princesa sempre aparece uma bruxa ou um feitiço...
Tudo começou com o mal hálito matutino, que pôde suportar criando a tática de deixar algumas balas na cabeceira da cama. Porém, logo vieram os roncos, as caspas, as cuecas despejadas no tanque (e porque não no meio da casa?), as meias e toalhas de banho atiradas no quarto. Já não suportava mais o descenso de princesa à de dona-de-casa. Exalava desinfetante com sabão em pó e sua tez já era opaca e encardida feito as cuecas do marido.
Como toda e boa mulher, acreditou que era uma fase e que conversando as coisas poderiam mudar. Até certo ponto tinha razão; o príncipe saiu do pedestal à pia de louças. Mas não por muito tempo. Nem os livros de auto-ajuda que soletrava de cor funcionavam, e os conselhos do psicólogo de canalizar o estresse ao diálogo, tampouco. Que se dane a psicologia! pensou.
Um dia desses, ela recebeu em mãos o atestado de óbito do príncipe: descobriu o motivo pelo qual os dois já não transavam. Valquíria era o seu nome. Sim, nome de biscate. E a puta tinha nome e endereço, mais precisamente um endereço virtual. Aquilo a feriu tão profundamente que decidiu acabar com aquela história de amor para a vida inteira. Não pensou, porque mulher irada não pensa. Aguardou a chegada do homem em seu cavalo branco, partindo a sua cabeça com o multilimpador que comprou numa promoção na TV. Com ar curioso, olhou o sangue brotar do crânio afundado com certo prazer, admitindo que, atirado no chão, a carcaça lembrava muito a de um sapo boi.
Não foi presa. Foi absolvida com uma fiança generosa, paga, claro, com o dinheiro do marido defunto. E não é que ela foi ao seu enterro? Bastante abatida, velou o morto e seus sonhos de conto de fadas, e para concluir o ato fúnebre, num último suspiro de nobreza, atirou contra o caixão o seu cetro de ouro, enterrando definitivamente a última dinastia real.
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