Voltei galera. Foram curtinhas, sim, mas esses dias foram bastante intensos: comi muito camarão, adquiri novos traumas, tomei sol (com protetor), vi muito homem sarado na praia... Posso dizer que tudo foi muito bom, muito legal, principalmente, claro, se esquivo as más recordações. É gente, pelejei bastante nesse início de 2010. E como a gente sempre conta as coisas ruins primeiro, seguirei essa regrinha.
A ida.
Após enfrentar 18 horas de busão, cheguei na cidade das cataratas. E se lá tem a garganta do diabo, acho que aquela rodoviária é o coração dele. Um mundaréu pulsante de sacoleiros ocupavam toda a extensão do local com suas sacolas imensas, parecendo até que estavam trazendo o Paraguai por partes. Ciudad de Leste por exemplo, estava esquartejada na sacolona de plástico que uma dona obesa e suada arrastava inultilmente, enquanto na outra mão equilibrava seu pastel de carne e coca. E como se não bastasse esse inferno, a cidade estava em chamas com seus 38 graus e 1000 de sensação términa. Sinceramente, gostaria de bater um papo com o secretário de turismo daquela cidade. Um ar condicionado naquela rodoviária não seria um luxo. Estamos falando de uma rodoviária internacional, de grande fluxo humano e seus odores e a grana que os gringos deixam ali não é desculpa para dizer "não temos verba".
Tudo bem, estava de muito mau humor, consequência de 18 horas de viagem, calor, idioma diferente. Eu estava afetada, mas a minha história poderia ter sido diferente. Pensem vocês: eu chegando em Foz depois de horas de viagem e ao invés de suar feito porco na ceia de natal, me depararia com um ar fresco, sem crianças chorando por estarem irritadas com a alta temperatura, sem sentir o cheiro de sovaco alheio; me sentiria mais humana, longe do pensamento de estar participando de algum tipo de catástrofe humana, esperando tranquilamente o meu ônibus para Guarapuava. Completamente recomposta, chegaria sorridente para os meus queridos, sem verbalizar palavras de baixo nível, vociferando contra a família o fato de morarem no cu do mundo. Sem ar condicionado, escapei para a única lanchonete da rodoviária (exato, só tem um lugar para comer). Enfrentei fila, o lugar só tinha um ventilador ligado, respirei fundo e parti pro lado bom da coisa, comer. Me empanturrei com uma coxinha seca de frango e um suco de laranja. Não há mau humor que se cure quando se está com a barriga cheia.
A volta.
A minha volta a Buenos Aires foi pior, muito pior do que eu poderia prever. Nem um escritor de novela mexicana poderia ser tão audaz quanto aos fatos que logo descreverei. Foi duro deixar a minha família depois de dias tão prazerosos. E o que aconteceu realmente foi um trauma. Sem mais rodeios, vamos aos fatos.
Graças às chuvas que alagaram São Paulo, que é graças ao fenômeno climático "El Niño", decorrente graças aos gases invernadeiros na atmosfera, graças à inconsiência da população mundial e principalmente da estupidez dos governantes deste planeta, meu busão de Guarapuava à Foz estava atrasado. Atrasadíssimo. O cara de peixe morto da Tristeza dos Campos (fazendo alusão à empresa de ônibus Princesa dos Campos) me disse com pouco caso "ai moça, você não consegue chegar em Foz às 14h não. O carro está encurralado lá em São Paulo e não tem outra empresa que faça esse trajeto". Maldito monopólio, pensei. Era a única empresa que me poderia enfiar naquele inferno de cidade. Com mala e travesseiro nas mãos, voltei para a casa da minha irmã, com a promessa de que me levariam a Cascavel na manhã seguinte, de carro. Para comemorar o evento, usei o dinheiro que me devolveram da passagem para torrar com x-saladas e fazer uma vigília com filmes brasileiros recém lançados.
Começamos por O Divã, legalzinho e terminamos com a Mulher Invisível. Temida pelo filme ser estreado pela Luava Piovani, fui dormir sem terminar a película. Antes mesmo do galo afiar suas cordas vocais, caímos na estrada rumo a Cascavel. Tempo horrível, as nuvens negras no céu eram ameaçadoras, como que avisando o que me esperava pela frente.
Em Cascavel uma surpresa: os ônibus estavam atrasados e desta vez não eram pelas chuvas de São Paulo. O senhor que me atendeu, muito simpático por sinal, pouco soube me informar o motivo do problemão que acabava de me atirar pela janelinha de vidro. Com toda a boa vontade do mundo, meus cunhados e minha sobrinha Julia partiram comigo para o calderão do diabo: Foz.
Não é exagero, sentia meu espírito suado e pegajoso. Chegamos cansados e famintos, destruídos e apurados. Comi mais um quilo de coxinha com suco para aguentar as 18 horas de retorno. Minha sobrinha, com seus apenas um ano e seis meses estava inquieta, cagante e chorante. Minha irmã fatalmente se contorcia de cólica e meu cunhado cozinhava na sua calça de jeans grosso e camisa pólo. Bem, havíamos corrido bastante e faltavam apenas 30 minutos para me meter no ônibus e au revoir. Fiquei até aliviada ao ver o ônibus laranja ofuscante do Crucero del Norte, mas uma voz feminita me orienta "moça, esse vem do Rio, o seu vem de São Paulo". As últimas palavras causaram-me um certo calafrio e um mau pressentimento. Olhei a baixinha esmilinguida dona daquela voz que minutos antes havia dito "São Paulo" e perguntei "quanto tempo de atraso?", "meia hora", disse a mocinha que parecia ter um pão enfiado na boca, tamanha era a sua voz esgarniçada. De repente, quase que ao mesmo tempo, vejo os dois ônibus da Tristeza - sim, o mesmo que eu havia tentado tomar em Guarapuava e Cascavel, chegando antes mesmo do que aquele que eu tomaria para Buenos Aires. Uma piada de muito mal gosto, fala sério. "Ah?" "Nada não minha senhora, sou eu pensando em voz alta", comentei com uma idosa que cuspia em mim enquanto falava.
Estava com dor na consciência, puxa. Fiz minha irmã viajar quase 500 km para nada! Respirei fundo, tentei jogar o jogo do contente de Polianna e a ideia de ainda estar com a minha familia me consolou.
Acontece que meu ônibus não vinha, e já não eram 14:30 e sim quase 16h. Nós não éramos mais seres humanos e sim um monte de carne disforme em putrefação, fedentos, cansados e à beira do desespero. Ameaçando a tirar a tapas o pão da boca da baixinha esmilinguida, fui expelir os meus demônios. "Puta que pariu moça, tô esperando há quase 2 horas e nada dessa merda de ônibus". Como se as próximas palavras fossem dar algum trunfo, a voz esgarniçada me disse com a maior indiferença "acabaram de nos informar que o ônibus chegará apenas às 19h". O meu cérebro insolado só pensava em dar "porrada, porrada", mas tudo o que consegui fazer foi chorar, chorar e pedir o meu dinheiro de volta. Queria sumir dali, voltar para Guarapuava, esquecer que a Argentina existia. Queria me alistar em alguma facção terrorista e dedicar-me a destruir empresas de ônibus que não atendem bem aos seus clientes. "Moça, você vai se arrepender, nessa época no ano é difícil encontrar passagem em cima da hora"."Me arrepender? Ahhh, sua biscatinha, quem vai se arrepender é você! Vou processar essa porra de empresa e você vai voltar pro buraco de onde saiu".
É claro que era meu cérebro insolado falando comigo. Estava tão mal que só queria o meu dinheiro e evaporar dali.
Fomos rumo à fronteira com a Argentina. Lá, pensei eu, teria mais opção de horários e empresas. Após 40 minutos fritando na fila de carros, fomos barrados porque a Julia não tinha RG. Só certidão de nascimento. A pobrezinha que dormia candidamente teve de ser acordada e aos prantos foi com a minha irmã numa sala horrenda do setor migratório argentino. Pelo menos eles tinham ar condicionado. Cunhadinho e eu atravessamos a fronteira e obviamente não havia passagem, "semana que vem", "talvez amanhã liberam um carro extra". Nesse momento, vejo o ônibus que ia para Buenos Aires, o mesmo que estava encalhado em São Paulo, aquele mesmíssimo que chegaria às 19h, estava bem na nossa frente, em marcha lenta rumo à terra prometida. E ainda eram 17:30. Surtei, lógico que comecei a chorar, xingar meio mundo e acabou sobrando para o Luis, que me atendeu do outro lad com um alô cheio de amor para dar. "Alô uma ova seu calhorda! Tudo isso aqui é culpa sua. Eu devia estar no Uruguai, em Punta del Leste, se não fosse o seu cachorro ter um tumor no cu. A culpa é sua sim seu patife, o país é seu, a empresa que ia viajar é do seu país, que aliás odeio, odeio tudo isso aqui, não volto nunca mais, tá me ouvindo?". Estava, como sempre estava ouvindo os berros histéricos da namorada descontrolada, que depois de vociferar como cão raivoso, voltaria à sessão de choros e soluços.
Para resumir o que aconteceu nas próximas horas, digo que acabei ficando num hotel em Puerto Iguazu e na manhã seguinte deveria tomar um voo com destino a Buenos Aires.
O hotel era bem fofo, com um jardim arborizado, uma piscina cheia de jovens europeus ao seu redor. Todos pareciam felizes e eu estava tão triste, cansada, aniquilada. Não achava justo minhas férias terminarem de forma tão sem sentido. A imagem da minha irmã e a Julia naquela sala de migrações doeram. Elas não mereciam passar por aquilo. Fui dormir bem cedo, chorando e ligando para o Luis para continuar a xingá-lo até dormir. Fechei os olhos para esquecer aquele pesadelo e me preparar para um novo: o meu medo de voar.
Tive febre. Meu sono foi perturbado inúmeras vezes pela dor no corpo e frio. Acordei de madrugada, fui para debaixo de uma árvore esperar pelos primeiros raios de sol. Não apareceram muito evidentes, pois o dia era de chuva. Vai ser cagada assim lá na puta que pariu Michele!, pensei.
No aeroporto conheço uma paraguaia simpática. Me tomava a febre, me distraia com seu vocabulário guarani, meu ânimo começava a reagir. Mas durou pouco, porque a migração argentina se enquasquetou com a moça e a levou sabe deus pra onde.
Dentro do avião, uma senhora de nariz tremendamente vermelho e inchado sentou ao meu lado. Eu estava na janela. Seu nariz atraía meus olhos instintivamente e eu pensei que ela estava com leishmaniose. A viagem começou mal. Voamos como se estivéssemos num tobogã. Havia muitos poços de ar, tempestade, um voo completamente desagradável, combinando com perfeição o que eu já tinha vivido dia antes. Colocaram Bolero de Ravel para tranquilizar os passageiros e é claro que não funcionou. Piorou. A mulher nariguda estava nervosa, com medo. Me explicou que teve uma reação alérgica do sol no meio das cataratas, por isso tinha aquela bola carne viva acima da boca. Com essa explicação pude ficar mais tranquila, pois o nariz me preocupava mais que o sobe-desce do avião.
Eu estava entre gente de toda nacionalidade. Atrás de mim haviam japoneses, na frente americanos, do outro lado franceses. Acho que argentinos mesmo, só os que estavam ao meu lado. O marido da senhora com alergia no nariz tentava tranquilizá-la e juntos fazíamos piadas. "O que o piloto nos dirá se o avião cair?", perguntou o marido. "Atenção senhores pasageiros, informamos que estamos todos fudidos e que vamos morrer. Não aproveitem a situação para roubar a comida e bebida da primeira classe. Vandalismo está proibido neste avião e a LAN agradece por viajar conosco", eu sugeri tentando conter o meu sarcasmo. A viagem, mesmo no seu triste contexto, ficou descontraída. Chegaram alguns alfajores Havana e até pude perceber o gatíssimo comissário de bordo que me servia. O problema é que logo vi que ele era viado. Nenhum homem vai dizer que adorou o babado do seu vestido e que na europa se usa muito aquele modelo (obrigada irmãzinha por emprestar seu vestidinho xadrez com babado). De repente, o avião perde altitude, o povo grita, a mochila dos franceses caem em cima de um casal que penso eu serem coreanos, a nariguda aperta a minha mão e eu tenho um ataque de riso.
O que aconteceu depois vem numa sequência sem ordem, embaralhada. O comissário bonitinho viado pedia que as pessoas me dessem passo, queriam me deitar no chão do avião. No chão do avião por quê? O casal ao meu lado seguravam vários saquinhos de vomitar e me diziam alguma coisa que eu não conseguia escutar. Os japoneses pareciam ter aumentado os seus olhos, caralho, tá todo mundo olhando para mim! O que é isso que estão jogando em mim? Champagne? Esse viadinho gostosinho é um pervertido, safado. O que ele quer fazer comigo ali na frente de todos? Mas peraí, eu acho que eu ainda tenho um namorado...
Epa, o que estou fazendo só de sutiã com o vestido dobrado até à cintura cobrindo as pernas? Escuro, via tudo preto. Não! Meu sutiã não combina com a calcinha e acho que a virilha está meio peluda. Porra, o que está acontecendo aqui? Eu estava tremendo, ensopada de tanto suar. Será que voltei para Foz? Ou a paraguaia simpática me deu alguma droga? Estava tudo agitado e lento ao mesmo tempo...Vômito, muito vômito. "Pobrecita, necesita aire!", gritava a senhora alérgica ao sol. Uma dor de cabeça, ruído infernal, dor, muita dor no corpo. Estou tremendo, minha pele queima! Queria chorar mas também queria manter a pouca dignidade que me sobrava. Tá todo mundo olhando que tenho barriga. Eu vou morrer....
Aeroparque: Buenos Aires. O viadinho lindo está no banheiro comigo me limpando. Já havíamos pousado e ninguém podia descer até eu descer. Havia passado uns 40 minutos desde a minha crise de sabe-lá-o-quê. Estávamos esperando uma cadeira de rodas. Para mim? Não senhor, vou descer com as minhas pernas. Eu não conseguia falar e ainda tremia muito, me sentia muito frágil, sem forças. Chega uma aeromoça impecavelmente maquiada com a minha mochila. Apontei para a minha bolsa preta Prüne e indiquei que me dessem o meu celular. Liguei para o Luis, balbuciei alguma coisa, tentei dizer que me sentia ótima, mas o moço bonito não acreditou muito, me ajudou a levantar e fui rumo às escadas. "Moça, você ainda não está recuperada, espere a cadeira de rodas, lá em baixo tem um médico te esperando". Cadeira de rodas, médico? Amanhã preciso estar no escritório querido. "Obrigada, posso caminhar sozinha, me sinto bem", foi a primeira frase que consegui dizer, embora o gosto de vômito que tinha na boca me dava vontade de seguir vomitando. Eu estava confusa, com medo e só queria desder daquele lugar, nem que fosse rolando escada abaixo. Ainda o escutei perguntar se eu tinha ficado com medo do voo. Medo de quê? Voar? Já voei outras vezes. "Não, deve ter sido a aspirina, a febre, sei lá". Deixei o pássaro de lata para trás e vi o rostinho preocupado do Luis me esperando junto com os seguranças.
Abracei o meu homem e chorei. Não conseguia falar. Veio um moço bem trajado perguntar se me chamava o médico. A médica veio e disse que devia ser pela onda de calor que fazia na cidade. Mas se eu estava dentro do avião, que calor minha senhora? Não importa, fui pra casa nos braços do meu amor de taxi, com uma motorista sapatão que falava pelos cotovelos. Deixei para trás a praia, a família, os percalsos do dia anterior, tudo. Só queria chegar em casa para desmaiar como deus manda.
E a parte boa da viagem?
Com a minha família na praia, camarão e peixe fresco todo dia na mesa, gente bonita, festa e dias de sol, não há muito o que dizer. Estava muito feliz por ver a Julia tomar o seu primeiro banho de mar, ganhar seus beijinhos, abracinhos. As rizadas nas noites de buraco com a minha irmã e o meu cunhado, que saudade! Desfrutei muito das caminhadas matinais com a minha mãe, dos nossos papo-cabeça, do jeitinho calmo e desafiante dela. Realmente, foi tudo muito maravilhoso e não me arrependo de ter ido ao Brasil ao invés do Uruguai.
Só isso? Sim gente, só isso. Aprendam que faz parte do ser humano recordar mais as coisas ruins do que as boas. E aqui não será exceção.
Música que me acompanhou nesta triste volta
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Começando mal as férias
Eu sou uma água-festas. Até mesmo quando se trata de algo bom que está prestes a acontecer comigo. Já pensei em ir a um analista para tratar isso, mas sinceramente falando, prefiro gastar em roupas ou livros, do que com um cara que ganha às minhas custas uma dinheirada só pra se fazer de interessado pelos meus problemas. É certo, sou pessimista, fatalista, e isso acontece principalmente quando estou prestes a fazer uma viagem.
Amo viajar. É uma das coisas que mais gosto nesta vida, mas é inevitável essa sensação de que o meu avião irá cair numa montanha gélida, mesmo se estou indo numa direção completamente oposta às cordilheiras. Maus pensamentos rondam meu cérebro, como esquecer a passagem na mesinha da sala ou o dinheiro para a viagem, que alguém me confudirá com uma terrorista ou que um mafioso me sequestrará ou colocará em uma das minhas malas quilos de cocaína. Então, resignada, reviro a bolsa, consto pela milésima vez que o bilhete está ali, respiro aliviada e confiro o dinheiro que está ok. Em seguida, me tento e verifico as estatísticas de acidentes aéreos, o clima para o dia, acreditando que enfrentarei uma tempestade e uma turbulência dos diabos, e outras estupidezes típicas de uma maníaca depressiva ainda não diagnosticada.
Hoje, exatamente hoje viajo. E como de costume, tenho a sensação que defino "mau pressentimento". Sabe, aquela vozinha interior dizendo que "vai dar merda"? Pois é. Nesta manhã por exemplo, meu celular caiu no chão da forma mais idiota e quebrou. QUEBROU!!! Justo porque ontem recém havia trocado a mísera memória de 254 mega por 2 giga. Estava faceira com os hits do Kid Abelha e Legião que ia escutar, claro gente, não eram 2 gigas de legis e kids. Agora, sinto que isso foi um sinal, um péssimo sinal, que indica que essa viagem não vai ser legal. Também, fui sacar dinheiro no banco e os dois caixas não continham cédulas. Puta merda, só pode ser uma conspiração mafélica contra as minhas tão sonhadas férias.
Medo, muito medo, medo de perder o ônibus que terei que tomar até Guarapuava, medo de que numa curva o bicho caia num buraco e que ninguém ache meu corpo e que o Luis se case em menos de um ano, medo de que um grupo de assaltantes roubem os presentinhos de levo para família, medo de que o cartão de crédito esteja bloqueado para o exterior, medo que no dia em que pise o pé na praia dê um temporal, depois vem o medo de ter que viajar de carro até à praia (obviamente já li o número de acidentes que ocorreram nas estradas brasileiras no último feriado).
Assim que, já estou oficialmente de férias e sofrendo pelo meu estado de pânico, pois acho que tudo vai dar errado e que o melhor era não sair de casa e sim, passar as férias em Buenos Aires mesmo, ficar nesse calor úmido sem praias, sem família. Que o melhor é ver a Julia quando ela tiver 18 anos, idade em que ela poderá viajar sozinha pra me visitar. Isso seria tão mais simples! Mas não, agora terei que viajar morrendo de medo, sem celular para ligar para o meu advogado quando encotrarem os 700 quilos de cocaína na minha mala, sem dinheiro para fugir do país, pois o cartão de crédito estará bloqueado, sem meus documentos, porque os terei esquecido na mesinha da sala e estarei completamente fudida. E nem a ideia da praia me tranquiliza, porque certamente choverá e não me caberá outra alternativa que passar as férias jogando batalha naval com minha avó e tia.
Mas tudo bem gente, não há nada nessa vida que um valium não resolva e prometo que quando voltar a Buenos Aires, definitivamente, pagarei a um idiota para que me escute e que me dê o veredicto: louca varrida.
Amo viajar. É uma das coisas que mais gosto nesta vida, mas é inevitável essa sensação de que o meu avião irá cair numa montanha gélida, mesmo se estou indo numa direção completamente oposta às cordilheiras. Maus pensamentos rondam meu cérebro, como esquecer a passagem na mesinha da sala ou o dinheiro para a viagem, que alguém me confudirá com uma terrorista ou que um mafioso me sequestrará ou colocará em uma das minhas malas quilos de cocaína. Então, resignada, reviro a bolsa, consto pela milésima vez que o bilhete está ali, respiro aliviada e confiro o dinheiro que está ok. Em seguida, me tento e verifico as estatísticas de acidentes aéreos, o clima para o dia, acreditando que enfrentarei uma tempestade e uma turbulência dos diabos, e outras estupidezes típicas de uma maníaca depressiva ainda não diagnosticada.
Hoje, exatamente hoje viajo. E como de costume, tenho a sensação que defino "mau pressentimento". Sabe, aquela vozinha interior dizendo que "vai dar merda"? Pois é. Nesta manhã por exemplo, meu celular caiu no chão da forma mais idiota e quebrou. QUEBROU!!! Justo porque ontem recém havia trocado a mísera memória de 254 mega por 2 giga. Estava faceira com os hits do Kid Abelha e Legião que ia escutar, claro gente, não eram 2 gigas de legis e kids. Agora, sinto que isso foi um sinal, um péssimo sinal, que indica que essa viagem não vai ser legal. Também, fui sacar dinheiro no banco e os dois caixas não continham cédulas. Puta merda, só pode ser uma conspiração mafélica contra as minhas tão sonhadas férias.
Medo, muito medo, medo de perder o ônibus que terei que tomar até Guarapuava, medo de que numa curva o bicho caia num buraco e que ninguém ache meu corpo e que o Luis se case em menos de um ano, medo de que um grupo de assaltantes roubem os presentinhos de levo para família, medo de que o cartão de crédito esteja bloqueado para o exterior, medo que no dia em que pise o pé na praia dê um temporal, depois vem o medo de ter que viajar de carro até à praia (obviamente já li o número de acidentes que ocorreram nas estradas brasileiras no último feriado).
Assim que, já estou oficialmente de férias e sofrendo pelo meu estado de pânico, pois acho que tudo vai dar errado e que o melhor era não sair de casa e sim, passar as férias em Buenos Aires mesmo, ficar nesse calor úmido sem praias, sem família. Que o melhor é ver a Julia quando ela tiver 18 anos, idade em que ela poderá viajar sozinha pra me visitar. Isso seria tão mais simples! Mas não, agora terei que viajar morrendo de medo, sem celular para ligar para o meu advogado quando encotrarem os 700 quilos de cocaína na minha mala, sem dinheiro para fugir do país, pois o cartão de crédito estará bloqueado, sem meus documentos, porque os terei esquecido na mesinha da sala e estarei completamente fudida. E nem a ideia da praia me tranquiliza, porque certamente choverá e não me caberá outra alternativa que passar as férias jogando batalha naval com minha avó e tia.
Mas tudo bem gente, não há nada nessa vida que um valium não resolva e prometo que quando voltar a Buenos Aires, definitivamente, pagarei a um idiota para que me escute e que me dê o veredicto: louca varrida.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Quando descobri que escrever era o "meu negócio"
Primeiro quero esclarecer as aspas. Quando digo "meu negócio" é sem pretenção gente. Porque não gosto do que escrevo, não há clareza e objetividade nas frases que construo. Ainda cometo erros de português (mistura com o espanhol e afins) e acho a minha retórica bastante previsível. Por outro lado, não ganho absolutamente nada escrevendo, o que é uma pena, pois estudei para isso. Portanto, não há negócio, é sem lucro; apenas perda de tempo e talvez de dinheiro, pois o tempo que gasto escrevendo, poderia usá-lo para estudar ou elaborar alguma estratégia para ficar rica e sair finalmente da pindaíba.
Após os esclarecimentos acima, que afirmo e confirmo não se tratar de vaidade e ambição, mas sim de paixão, conto-lhes quando vi que eu não tinha outra habilidade, senão esta, para me comunicar com as pessoas.
Começou quando era criança. Filha única, pais opressivos, não me restava outra que tentar comprá-los com pinturas ou colagens. A coisa estava funcionando, até que entrei para a escola e o que eu fazia deixou de arte para ser entulho. Jamais cogitei a possibilidade de me relacionar com as letras. Minha letra era um desastre, meu caderno e livros cheio de orelhas e quando não tinha uma borracha, cuspia no indicador e esfregava sobre o erro com toda a cara de pau do mundo. As professoras escreviam bilhetes aos meus pais, falavam mal de mim nas reuniões e meu pai, ex professor de matemática e geografia tentava me "dar um jeito". Minhas férias eram no mar, num mar de livros que meu pai comprava para me dar um jeito. Tinha caderno de caligrafia, dicionário, um material completo para me dar um jeito. Mas pau que nasce torto...
Minha pior nota era em língua Portuguesa e não havia tema que me interessasse, até que um dia, na aula de redação, jesus me deu um jeito (tô sendo irônica, tá gente). Tive a brilhante ideia de criar uma história em que envolvia todos os alunos da minha classe. E não é que ficou bom, tão bom que a professora teve a audácia de me inscrever (sem autorização prévia) no concurso de poesia do colégio.
Esse evento era o maior da época. Todos os pais prostados ante os micos comitidos por seus filhos e os alunos, esperando alguém meter os pés pelas mãos para massacrar o infeliz até o dia de sua morte. Participei do consurso. Pior, era uma das finalistas, até que uma bicha desgraçada descobriu que as poesias vinham nada mais e nada menos do disco 4 da Xuxa. Orra, ninguém ouvia aquela música, era o hit mais fracassado da rainha. Foi azar mesmo e fui massacrada até o resto dos meus dias naquele colégio por esse delito.
O trauma não me desanimou. Como havia muitos livros em casa, lia muito. E tentava criar as minhas histórias. Comecei escrevendo cartas de amor para minhas amigas. Depois passei para as de ameaça, quando os namorados das minhas amigas as enganavam com alguma bonitinha recém chegada no colégio. Até minha tia utilizou as minhas habilidades para ameaçar seu ex marido.
Quando despertou o meu interesse pelos homens, descobri que além de feia, desengonçada, sem peito e bunda e pouco popular, eu era sem graça. E para uma mulher nessas condições, a única arma que resta é o humor...que eu não tinha. Aliás, até tinha, só que, somado ao meio jeito desengonçado não causava graça. Acho que no fundo, as pessoas sentiam pena. Mas eu me esforçava, tanto que entrei para o teatro, mas isso não adiantou. Qualquer piada na minha boca era mais chata que missa do galo. Com o tempo me rendi. Ficava sozinha, pelos cantos, com minha feiúra e magreza, atingindo um estado de timidez quase autista. Isso afetou drasticamente a minha vida amorosa, que por ironia do destino era tão engraçada, que parecia uma piada.
Como nunca me dou por vencida, aprendi muito rápido o jogo do sarcasmo. E igual que anos atrás, passei a castigar as folhas de papel pelas minhas frustrações. O mais louco disso tudo é que as pessoas riam do que eu escrevia. E além do sarcasmo, aprendi que rir da nossa própria desgraça é uma excelente terapia. Tudo bem, que já passei da fase de escrever sobre as injúrias do amor e sinceramente falando, gosto muito de escrever sobre coisas sérias. Mas o coloquial é tão atrativo e diariamente vejo roteiros tão interessantes diante de meus olhos que me tento a escrever sobre isso, até que nasceu este blog.
Se alguém mais, além do Lu, Carol, Pri, entre outros (valeu gente!), leem as merdas que escrevo, não sei. Pode ser que continuo tão fracassada quanto na minha adolescência, mas hoje, posso dizer que meu pai conseguiu dar um jeito na minha vida. Graças à sua insistência, tenho uma letra bonitinha, não cuspo mais no dedo e sou uma devoradora de livros, que ama escrever qualquer coisa, até mesmo piadas que ninguém ri.
Após os esclarecimentos acima, que afirmo e confirmo não se tratar de vaidade e ambição, mas sim de paixão, conto-lhes quando vi que eu não tinha outra habilidade, senão esta, para me comunicar com as pessoas.
Começou quando era criança. Filha única, pais opressivos, não me restava outra que tentar comprá-los com pinturas ou colagens. A coisa estava funcionando, até que entrei para a escola e o que eu fazia deixou de arte para ser entulho. Jamais cogitei a possibilidade de me relacionar com as letras. Minha letra era um desastre, meu caderno e livros cheio de orelhas e quando não tinha uma borracha, cuspia no indicador e esfregava sobre o erro com toda a cara de pau do mundo. As professoras escreviam bilhetes aos meus pais, falavam mal de mim nas reuniões e meu pai, ex professor de matemática e geografia tentava me "dar um jeito". Minhas férias eram no mar, num mar de livros que meu pai comprava para me dar um jeito. Tinha caderno de caligrafia, dicionário, um material completo para me dar um jeito. Mas pau que nasce torto...
Minha pior nota era em língua Portuguesa e não havia tema que me interessasse, até que um dia, na aula de redação, jesus me deu um jeito (tô sendo irônica, tá gente). Tive a brilhante ideia de criar uma história em que envolvia todos os alunos da minha classe. E não é que ficou bom, tão bom que a professora teve a audácia de me inscrever (sem autorização prévia) no concurso de poesia do colégio.
Esse evento era o maior da época. Todos os pais prostados ante os micos comitidos por seus filhos e os alunos, esperando alguém meter os pés pelas mãos para massacrar o infeliz até o dia de sua morte. Participei do consurso. Pior, era uma das finalistas, até que uma bicha desgraçada descobriu que as poesias vinham nada mais e nada menos do disco 4 da Xuxa. Orra, ninguém ouvia aquela música, era o hit mais fracassado da rainha. Foi azar mesmo e fui massacrada até o resto dos meus dias naquele colégio por esse delito.
O trauma não me desanimou. Como havia muitos livros em casa, lia muito. E tentava criar as minhas histórias. Comecei escrevendo cartas de amor para minhas amigas. Depois passei para as de ameaça, quando os namorados das minhas amigas as enganavam com alguma bonitinha recém chegada no colégio. Até minha tia utilizou as minhas habilidades para ameaçar seu ex marido.
Quando despertou o meu interesse pelos homens, descobri que além de feia, desengonçada, sem peito e bunda e pouco popular, eu era sem graça. E para uma mulher nessas condições, a única arma que resta é o humor...que eu não tinha. Aliás, até tinha, só que, somado ao meio jeito desengonçado não causava graça. Acho que no fundo, as pessoas sentiam pena. Mas eu me esforçava, tanto que entrei para o teatro, mas isso não adiantou. Qualquer piada na minha boca era mais chata que missa do galo. Com o tempo me rendi. Ficava sozinha, pelos cantos, com minha feiúra e magreza, atingindo um estado de timidez quase autista. Isso afetou drasticamente a minha vida amorosa, que por ironia do destino era tão engraçada, que parecia uma piada.
Como nunca me dou por vencida, aprendi muito rápido o jogo do sarcasmo. E igual que anos atrás, passei a castigar as folhas de papel pelas minhas frustrações. O mais louco disso tudo é que as pessoas riam do que eu escrevia. E além do sarcasmo, aprendi que rir da nossa própria desgraça é uma excelente terapia. Tudo bem, que já passei da fase de escrever sobre as injúrias do amor e sinceramente falando, gosto muito de escrever sobre coisas sérias. Mas o coloquial é tão atrativo e diariamente vejo roteiros tão interessantes diante de meus olhos que me tento a escrever sobre isso, até que nasceu este blog.
Se alguém mais, além do Lu, Carol, Pri, entre outros (valeu gente!), leem as merdas que escrevo, não sei. Pode ser que continuo tão fracassada quanto na minha adolescência, mas hoje, posso dizer que meu pai conseguiu dar um jeito na minha vida. Graças à sua insistência, tenho uma letra bonitinha, não cuspo mais no dedo e sou uma devoradora de livros, que ama escrever qualquer coisa, até mesmo piadas que ninguém ri.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Espírito natalino
Por mais que eu deteste o Natal, é um instinto inevitável esperar das pessoas uma atitude mais fraterna, gentil. Oras, nessa época as pessoas ficam mais sensíveis, estão mais alegres e não por menos, compram roupas novas, comidas deliciosas para a ceia, alguns viajam, outros recebem seus familiares...bem, essa parte a gente pula.
Ontem fui comprar um livro para o meu amigo secreto. O novo que saiu do Gabriel GarciaMarquez. Não preciso dizer que o lugar estava lotado. Um calor, uma multidão anciosa e os vendedores, já com um humor bastante particular, emitiam de seus olhos raios laiser que paralisava qualquer boca que intencionava perguntar. Como estava de óculos escuro, desviei os raios e pude me aproximar do moço moreno de corpo atlético para saber quanto custava o meu presente. O engraçadinho deu meia volta e sumiu. Como não me dei por vencida, o encurralei na sessão de livros religiosos e finalmente pude dizer-lhe que o leitor de preços não funcionava.
"O problema é que nem todas as mulheres sabem usar um leitor de preço", disse o filho da mãe com uma overdose de ironia. Enquanto tentava me recuperar, vi que preço apareceu na tela assim que o sujeitinho passou o objeto pela luzinha vermelha. Como se não bastasse, olhou pra mim e com todo o ódio e frustração que havia juntado naquele dia, vomitou "nem toda mulher tem habilidade com as máquinas, não é mesmo?"
Mandei o espírito natalino para os infernos e devolvi "e é essa mesma falta de habilidade que condena as pessoas a nascerem e a morrerem atrás de um balcão. O que não é a falta de habilidade".
Saí o mais rápido que pude. Não queria levar uma livrada na cabeça, principalmente, porque estávamos perto das bíblias (tô falando daquelas grandonas!).
Ontem fui comprar um livro para o meu amigo secreto. O novo que saiu do Gabriel GarciaMarquez. Não preciso dizer que o lugar estava lotado. Um calor, uma multidão anciosa e os vendedores, já com um humor bastante particular, emitiam de seus olhos raios laiser que paralisava qualquer boca que intencionava perguntar. Como estava de óculos escuro, desviei os raios e pude me aproximar do moço moreno de corpo atlético para saber quanto custava o meu presente. O engraçadinho deu meia volta e sumiu. Como não me dei por vencida, o encurralei na sessão de livros religiosos e finalmente pude dizer-lhe que o leitor de preços não funcionava.
"O problema é que nem todas as mulheres sabem usar um leitor de preço", disse o filho da mãe com uma overdose de ironia. Enquanto tentava me recuperar, vi que preço apareceu na tela assim que o sujeitinho passou o objeto pela luzinha vermelha. Como se não bastasse, olhou pra mim e com todo o ódio e frustração que havia juntado naquele dia, vomitou "nem toda mulher tem habilidade com as máquinas, não é mesmo?"
Mandei o espírito natalino para os infernos e devolvi "e é essa mesma falta de habilidade que condena as pessoas a nascerem e a morrerem atrás de um balcão. O que não é a falta de habilidade".
Saí o mais rápido que pude. Não queria levar uma livrada na cabeça, principalmente, porque estávamos perto das bíblias (tô falando daquelas grandonas!).
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Como odiar um homem em 10 passos
Mulheres! Em uma conversa bem de luluzinha com minhas colegas de trabalho, cataloguei as 10 gafes mais cometidas pelos homens. Nunca pensei que fosse tão fácil odiar o homem que você considera ser o amor de sua vida...1. Ele sugere rachar a conta em todas as saídas, porque diz que você está dando muitas despesas.
2. Ele diz que esqueceu a carteira e pede pra você pagar a conta, "depois a gente acerta", promete.
3.Diz que vai economizar no presente do seu aniversário, porque senão não dará para comprar a playstation junto com os amigos dele.
4. Você passa 4 meses planejando as férias, pesquisando preços, lugares, hotéis, sem a ajuda do seu namorado, claro. Finalmente você consegue um hotel de preço razoável (que inclui massagem, pensão completa, de frente para o mar!) e ele, dias antes da viagem, sugere acampar (obviamente vocês não tem barraca).
5. Além dos seus parentes, você tem que recordar das datas de aniversário dos parentes dele, comprar os presentes sozinha e claro, bancar a dívida toda.
6. No supermercado você pesquisa os preços, compra o que está de promoção, consume marcas secundárias no intuito de economizar. Ele enche o carrinho com besteiras que te farão engordar e pior, diz que o cartão dele está estourado, "depois a gente racha", promete novamente.
7. Suas amigas mostram as fotos das férias que tiveram no Club Med do Caribe e você não consegue evitar a amarga lembrança dos mosquitos te comendo viva no acampamento, enquanto seu namorado tentava fazer fogo para cozinhar o miojo com salsicha.
8. Você pede dinheiro emprestado para seu namorado e ele diz que você tem dificuldade econômica porque compra muita roupa.
9. Você pinta o cabelo de loiro porque sabe que ele gosta de loiras e ele diz que você não ficou bem com aquele cabelo.
10. Você o procura para transar e ele diz que está com dor de cabeça, estressado e que você tem que ser compreensiva.
PS: O Luis pede para esclarecer que ele não comete as 10 gafes descritas acima, rsrs.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Cantada
Para variar, atrasadíssima para o trabalho. Quase na boca do metrô, há poucos metros da escada rolante, ouço uma voz cheia de bossa:
- Bom dia minha princesa!
A voz vinha da lojinha do judeu. E não é que o infeliz era bonito! Investi meu melhor sorriso de segunda-feira e mais confiante o rapaz arriscou:
- Hoje você está mais bonita que ontem.
- Ah é? Já que sabe tanto de mim, que roupa vestia ontem? Touché, pensei.
- Era tanta a beleza, que só lembro que estava linda!
- Ah é, e a que horas você me viu ontem, assim...linda?
- Nessa mesma hora...
- Então meu querido, acho que você está me confundindo com outra. Num domingo às 8 da manhã, jamais estaria na boca de um metrô!
- Puxa, era só pra te dizer que estava bonita.
- Incrível, era apenas para constatar que vocês homens são todos iguais e dizem isso pra qualquer uma.
Já avançava contra a escada e o insistente continuou:
- Se é pra ganhar outro sorriso desses, prometo que amanhã saberei até o modelo do seu sapato.
Covardia, o cara tem uma loja de sapatos. Como é que vou me livrar desse figura?
- Tá bem, aceito o desafio. Mas com a condição de que saiba o que usei durante toda a semana. Já arrependida daestupidez que acabava de dizer.
- Se é pra ganhar um sorriso seu, aceito minha princesa.
Ainda bem que do outro lado da rua tem outra boca para entrar no metrô, senão estaria frita.
- Bom dia minha princesa!
A voz vinha da lojinha do judeu. E não é que o infeliz era bonito! Investi meu melhor sorriso de segunda-feira e mais confiante o rapaz arriscou:
- Hoje você está mais bonita que ontem.
- Ah é? Já que sabe tanto de mim, que roupa vestia ontem? Touché, pensei.
- Era tanta a beleza, que só lembro que estava linda!
- Ah é, e a que horas você me viu ontem, assim...linda?
- Nessa mesma hora...
- Então meu querido, acho que você está me confundindo com outra. Num domingo às 8 da manhã, jamais estaria na boca de um metrô!
- Puxa, era só pra te dizer que estava bonita.
- Incrível, era apenas para constatar que vocês homens são todos iguais e dizem isso pra qualquer uma.
Já avançava contra a escada e o insistente continuou:
- Se é pra ganhar outro sorriso desses, prometo que amanhã saberei até o modelo do seu sapato.
Covardia, o cara tem uma loja de sapatos. Como é que vou me livrar desse figura?
- Tá bem, aceito o desafio. Mas com a condição de que saiba o que usei durante toda a semana. Já arrependida daestupidez que acabava de dizer.
- Se é pra ganhar um sorriso seu, aceito minha princesa.
Ainda bem que do outro lado da rua tem outra boca para entrar no metrô, senão estaria frita.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Coisas que incomodam quando se tem 30 anos
Hoje, oficialmente sou uma trintona. Exatamente às 6:50 da manhã entrei para o rol das mulheres que embarcam na luta contra os empregos informais, flacidez e homens ocasionais.
Não tenho problema com a idade em si. Acho chato lidar com a ideologia que abarga essa idade: maternidade, ser bem sucedida profissionalmente e pensar em construir uma família (isso indica ter uma casa, carro...) Cara, então até ontem eu podia me dar ao luxo de ser uma fracassada, não me importar em dormir em albergue, tomar metrô e caminhar por aí com o meu velho all star preto, mas hoje, porque o planeta deu mais uma volta ao redor so sol tenho que me transvestir de mulherzinha insossa?
Assusta, e vem tão rápido que nem dá tempo de se preparar psicologicamente. Portanto, quando ver uma trintona por aí, não cometa as gafes que enumero logo abaixo:
Jamais diga a uma trintona...
1. 30? Parece ter menos (e nem sonhando um "parece-ter-mais").
2. Hoje tem uma promoção do kit Chronos que está imperdível...
3. Ainda vem o creme anti-rugas para os olhos de brinde.
4. E você, não vai casar mais não?
5. Olha que ter filhos depois dos 30 é perigoso.
6. Ter filhos depois dos 30 é difícil: o corpo demora muito mais em se recuperar e o pique não é mais o mesmo.
7. Esse vestido não seria para alguém mais jovem que você?
8. Isso o que estou vendo é uma mecha de cabelos brancos?
9. E aí tia?
10. Você já tem pé de galinha!
E se eu ouvir de alguém uma dessas frases acima, certamente você terá uma perna de galinha enfiada no seu rabo!
Não tenho problema com a idade em si. Acho chato lidar com a ideologia que abarga essa idade: maternidade, ser bem sucedida profissionalmente e pensar em construir uma família (isso indica ter uma casa, carro...) Cara, então até ontem eu podia me dar ao luxo de ser uma fracassada, não me importar em dormir em albergue, tomar metrô e caminhar por aí com o meu velho all star preto, mas hoje, porque o planeta deu mais uma volta ao redor so sol tenho que me transvestir de mulherzinha insossa?
Assusta, e vem tão rápido que nem dá tempo de se preparar psicologicamente. Portanto, quando ver uma trintona por aí, não cometa as gafes que enumero logo abaixo:
Jamais diga a uma trintona...
1. 30? Parece ter menos (e nem sonhando um "parece-ter-mais").
2. Hoje tem uma promoção do kit Chronos que está imperdível...
3. Ainda vem o creme anti-rugas para os olhos de brinde.
4. E você, não vai casar mais não?
5. Olha que ter filhos depois dos 30 é perigoso.
6. Ter filhos depois dos 30 é difícil: o corpo demora muito mais em se recuperar e o pique não é mais o mesmo.
7. Esse vestido não seria para alguém mais jovem que você?
8. Isso o que estou vendo é uma mecha de cabelos brancos?
9. E aí tia?
10. Você já tem pé de galinha!
E se eu ouvir de alguém uma dessas frases acima, certamente você terá uma perna de galinha enfiada no seu rabo!
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