Não faz muito tempo que descobri a minha anormalidade. Para ser exata, isso ocorreu há 5 minutos, mais precisamente na mesa de um café onde estou sentada neste momento.
Por exemplo aqui, nesta mesa de café estilo parisiense, cheio de gente velha sem o que fazer num domingo à tarde. Não é normal que eu, uma jovem de 30 anos, gaste meu tempo tomando café mocca - sendo que eu detesto café. Justo ao meu lado está um demonstrador recheado de bolos e tortas de chocolate, merengues, doces de todos os tipos e texturas. Olho para eles e sinto nojo. Odeio chocolate e seus derivados e tenho um forte repúdio pelo açúcar. Isso é comum?
Me incomoda o fato de não descarregar a minha ira - fruto da TPM, em uma caixa de bombons ou juntar um grupo de amigas num fim de semana para fazer tortas de limão. Sinceramente, prefiro descarregar a tensão numa mesa de bar, sozinha, escrevendo qualquer estupidez. Ou, assistir a filmes que me botam pra refletir sobre a miséria humana, e sendo mais estravagante, permanecer sentada na mesa de um café, para gastar dinheiro em uma bebida que não consumo.
Confesso que me dá inveja o grupo de meninas eufóricas que entram no local dando gritinhos histéricos só porque vão comer um imenso pedaço de chocolate maciço. Como também invejo as mulheres que sonham com o seu casamento, seu príncipe encantado e aniversário de 15 anos da filha, mesmo que tudo isso seja tão blasé.
É minha gente, descobri que gostaria de ser uma baita mulherzinha convencional. Isso sim é ser feliz!
domingo, 5 de setembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
A última dança
Não importa o que passou; ficou para trás.
Quero apenas congelar este momento, fixar meus olhos no céu escurecido e deixar a luz que emana de cima tingir os meus olhos que carregam lágrimas antigas.
E daí, me deixar levar por essa felicidade maiúscula, que tenta me guiar nessa imensidão da noite que hoje é tão nossa.
Quero que guie meus passos.
Que me ensine a dançar essa música conhecida de nós dois.
Quero te mostrar as minhas cores desbotadas,
Mas bem intensionadas,
Que esperaram tanto por você.
E é com essa vivacidade que quero que se lembre de mim dentro de alguns anos.
Eternizada, como um quadro de Monet.
O tempo está esgotando, mas não tenho pressa.
Tudo que desejo é unir minha alma à sua,
E morrer nos teus braços para ali permanecer,
Sem importar em que parte do mundo despertarei.
Porque já cumpri com a minha promessa,
Que era ter dançado com você esta canção.
Que tanto ensaiei com o meu peito e que agora meu amor, dedico a você.
Quero apenas congelar este momento, fixar meus olhos no céu escurecido e deixar a luz que emana de cima tingir os meus olhos que carregam lágrimas antigas.
E daí, me deixar levar por essa felicidade maiúscula, que tenta me guiar nessa imensidão da noite que hoje é tão nossa.
Quero que guie meus passos.
Que me ensine a dançar essa música conhecida de nós dois.
Quero te mostrar as minhas cores desbotadas,
Mas bem intensionadas,
Que esperaram tanto por você.
E é com essa vivacidade que quero que se lembre de mim dentro de alguns anos.
Eternizada, como um quadro de Monet.
O tempo está esgotando, mas não tenho pressa.
Tudo que desejo é unir minha alma à sua,
E morrer nos teus braços para ali permanecer,
Sem importar em que parte do mundo despertarei.
Porque já cumpri com a minha promessa,
Que era ter dançado com você esta canção.
Que tanto ensaiei com o meu peito e que agora meu amor, dedico a você.
( Michele Mitsue )
Esta música foi uma das fontes de inspiração para este post:
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Quando perdemos um grande amor ...
A minha história é a sua história. Também é a do vizinho, a do carinha que entrega jornais em Bangladesh, de todo mundo.
Diria que sofrer de amor é uma experiência igual que tomar cerveja. Mesmo sabendo que é amargo, você ainda acaba provando. Ninguém escapa dessa regra.
Aconteceu comigo. Demorei em descobrir que era amor. Pior ainda, que era grande. Tanto que quando dei por mim ele já havia partido. Para sempre. Passei alguns anos supondo uma série de coisas inúteis do tipo... se eu tivesse dito, se eu tivesse feito, que só serviram me fazer sentir péssima. Não fiz nada, ele nunca soube e perdemos a nossa oportunidade.
E quando falo de amor, não me importa a dimensão. Para mim foi amor e pronto. Aliás, por que o amor tem que ser medido pelo tempo e não por sua intensidade?
Um dia li seu Facebook. Estava namorando firme. Me senti estranha, dolorida, como se tivesse levado um golpe na boca do estômago; tive sensação de putez também; não pegava bem me sentir triste porque meu ex namorado decidiu tocar a vida dele, e eu, com um namorado ao meu lado. Foi terrível descobrir que ele ainda me importava, mesmo depois de tanto tempo.
Passaram-se os anos. Muitos. Até hoje sonho com ele. Desperto no meio da noite sofrida com essa mexida no passado. Olho para o lado e está o meu atual amor, que dorme um sono profundo e ingênuo. Eu o amo, não há dúvidas, mas não posso evitar a lembrança do outro, o quanto sofri e amei. Bandidamente acordo apaixonada pelo meu ex, passando o dia com música romântica e suspiros. Chego em casa e está o meu namorado. Estamos brigados. Mas não por meus sonhos, por uma bobagem qualquer. Olho para ele, inquieta, perdida, me sentindo uma completa louca, masoquista e biscate. Sinto culpa.
Precisei de muitos anos de auto análise para descobrir que um amor, sem importantar a dimensão - repito, a gente não esquece nunca. Se ele foi grande é complicado e se você o perdeu sem que ele soubesse dos seus verdadeiros sentimentos, é impossível fazer de conta que isso é coisa do passado.
Perder um amor é como perder parte de si. São anos para cicatrizar a ferida. E é assim que acontece, ante qualquer informação trivial sobre a vida dele é um abalo sísmico na minha, na sua. Aí bate aquela tristeza estranha, a sensação de putez, os se....e chega uma hora que parece que acabou, até retomar o ciclo e voltar tudo de novo.
Por isso, ao ver uma amiga lendo um best seller outro dia, de título "o que você deve fazer para conseguir um namorado", tentei convencê-la que no amor não se deve usar táticas. A melhor jogada que você pode fazer por si é ser você mesma. Ser verdadeira nos seus sentimentos e ex-pres-sá-los!!! Acho que é a forma de se viver a vida por completo, sem esse medinho adolescente de fazer o que é "errado". Ser você mesmo não está mal e dizer que ama é a melhor terapia do mundo, por mais que não dê certo depois.
Então nega, tá esperando o quê? Liga pro bofe e diga a ele (ela) o quanto você o (a) ama. Deixe de esperar e faça as coisas acontecerem, antes que você perca uma oportunidade preciosa na sua vida...
Vai por mim, e depois me conte como foi.
Diria que sofrer de amor é uma experiência igual que tomar cerveja. Mesmo sabendo que é amargo, você ainda acaba provando. Ninguém escapa dessa regra.
Aconteceu comigo. Demorei em descobrir que era amor. Pior ainda, que era grande. Tanto que quando dei por mim ele já havia partido. Para sempre. Passei alguns anos supondo uma série de coisas inúteis do tipo... se eu tivesse dito, se eu tivesse feito, que só serviram me fazer sentir péssima. Não fiz nada, ele nunca soube e perdemos a nossa oportunidade.
E quando falo de amor, não me importa a dimensão. Para mim foi amor e pronto. Aliás, por que o amor tem que ser medido pelo tempo e não por sua intensidade?
Um dia li seu Facebook. Estava namorando firme. Me senti estranha, dolorida, como se tivesse levado um golpe na boca do estômago; tive sensação de putez também; não pegava bem me sentir triste porque meu ex namorado decidiu tocar a vida dele, e eu, com um namorado ao meu lado. Foi terrível descobrir que ele ainda me importava, mesmo depois de tanto tempo.
Passaram-se os anos. Muitos. Até hoje sonho com ele. Desperto no meio da noite sofrida com essa mexida no passado. Olho para o lado e está o meu atual amor, que dorme um sono profundo e ingênuo. Eu o amo, não há dúvidas, mas não posso evitar a lembrança do outro, o quanto sofri e amei. Bandidamente acordo apaixonada pelo meu ex, passando o dia com música romântica e suspiros. Chego em casa e está o meu namorado. Estamos brigados. Mas não por meus sonhos, por uma bobagem qualquer. Olho para ele, inquieta, perdida, me sentindo uma completa louca, masoquista e biscate. Sinto culpa.
Precisei de muitos anos de auto análise para descobrir que um amor, sem importantar a dimensão - repito, a gente não esquece nunca. Se ele foi grande é complicado e se você o perdeu sem que ele soubesse dos seus verdadeiros sentimentos, é impossível fazer de conta que isso é coisa do passado.
Perder um amor é como perder parte de si. São anos para cicatrizar a ferida. E é assim que acontece, ante qualquer informação trivial sobre a vida dele é um abalo sísmico na minha, na sua. Aí bate aquela tristeza estranha, a sensação de putez, os se....e chega uma hora que parece que acabou, até retomar o ciclo e voltar tudo de novo.
Por isso, ao ver uma amiga lendo um best seller outro dia, de título "o que você deve fazer para conseguir um namorado", tentei convencê-la que no amor não se deve usar táticas. A melhor jogada que você pode fazer por si é ser você mesma. Ser verdadeira nos seus sentimentos e ex-pres-sá-los!!! Acho que é a forma de se viver a vida por completo, sem esse medinho adolescente de fazer o que é "errado". Ser você mesmo não está mal e dizer que ama é a melhor terapia do mundo, por mais que não dê certo depois.
Então nega, tá esperando o quê? Liga pro bofe e diga a ele (ela) o quanto você o (a) ama. Deixe de esperar e faça as coisas acontecerem, antes que você perca uma oportunidade preciosa na sua vida...
Vai por mim, e depois me conte como foi.
sábado, 21 de agosto de 2010
Não se reprima!
Entrando na onda do slow life, tomei o cuidado de analisar os sapos que tragamos nesta vida...calados! E contabilizando os que lembrava, me espantei quando vi a quantidade de desaforos que vim absorvendo ao longo desses 30 anos. Convertendo tudo isso ao estresse, cabelos brancos, rugas e substâncias terríveis que aumentam meus fios desbotados, as linhas de expressão indevidas e a diminuição dos meus anos neste mundinho caótico (e que amo), decidi mudar radicalmente a minha filosofia.
Claro amiga (o), pois você já se perguntou pra que reprimir seus pensamentoss, quando na verdade você deveria expressá-los com toda a liberdade que a polícia e a religião não permitem?
Por exemplo, hoje, 21 de Agosto. É um sábado, noite cálida de céu estrelado. São 22h:33 e estou escrevendo um texto para gente que nem sei se gosta do que escrevo. E se estou aqui, sentada nesta cadeira de assento rasgado pelo gato, num sábado à noite, significa que estou sozinha, o que é verdade. E se estou sozinha, é porque o desgraçado do meu namorado decidiu me deixar aqui, com minha dor de estômago e a cadeira rasgada para ir a um aniversário de uma amiguinha da faculdade.
Devido à educação repressora e religiosamente correta que recebi dos meus pais só disse ah tah, você é quem sabe. Queria que estivesse aqui comigo, que assistíssemos um capítulo de Lost, assim não ficaria sozinha em casa me contorcendo de dor...imagine se eu morro! Ao invés de escuta aqui ô seu merda, se me deixar sozinha num sábado à noite, com dor de estômago para soprar velinhas com a tonga da sua amiga de faculdade, juro que a minha vingança será maligna e você vai se arrepender de ter saído desta casa! Assim de simples, sem reprimir aquilo que realmente queria dizer.
Por isso, quero aproveitar este post para lançar a campanha do Não se Reprima!
Sabe aquele amigo invejoso que vive bota defeito em tudo? Gente que canta Florentina e quer se eleger a deputado? Ou aquele colega de trabalho que fala de boca cheia e lança partículas de baba e comida em cima de você? Vamos, deixem sua mensagem aqui no blog, onde o lance é mandar todo mundo pra puta que pariu!
Eu começo! Luissss, vai se fodê seu cagão desgraçado!
PS: Não acredito no êxito da minha campanha, o que me deixa ainda mais frustrada...sendo assim, bando de covardes, vão se lascar!
Claro amiga (o), pois você já se perguntou pra que reprimir seus pensamentoss, quando na verdade você deveria expressá-los com toda a liberdade que a polícia e a religião não permitem?
Por exemplo, hoje, 21 de Agosto. É um sábado, noite cálida de céu estrelado. São 22h:33 e estou escrevendo um texto para gente que nem sei se gosta do que escrevo. E se estou aqui, sentada nesta cadeira de assento rasgado pelo gato, num sábado à noite, significa que estou sozinha, o que é verdade. E se estou sozinha, é porque o desgraçado do meu namorado decidiu me deixar aqui, com minha dor de estômago e a cadeira rasgada para ir a um aniversário de uma amiguinha da faculdade.
Devido à educação repressora e religiosamente correta que recebi dos meus pais só disse ah tah, você é quem sabe. Queria que estivesse aqui comigo, que assistíssemos um capítulo de Lost, assim não ficaria sozinha em casa me contorcendo de dor...imagine se eu morro! Ao invés de escuta aqui ô seu merda, se me deixar sozinha num sábado à noite, com dor de estômago para soprar velinhas com a tonga da sua amiga de faculdade, juro que a minha vingança será maligna e você vai se arrepender de ter saído desta casa! Assim de simples, sem reprimir aquilo que realmente queria dizer.
Por isso, quero aproveitar este post para lançar a campanha do Não se Reprima!
Sabe aquele amigo invejoso que vive bota defeito em tudo? Gente que canta Florentina e quer se eleger a deputado? Ou aquele colega de trabalho que fala de boca cheia e lança partículas de baba e comida em cima de você? Vamos, deixem sua mensagem aqui no blog, onde o lance é mandar todo mundo pra puta que pariu!
Eu começo! Luissss, vai se fodê seu cagão desgraçado!
PS: Não acredito no êxito da minha campanha, o que me deixa ainda mais frustrada...sendo assim, bando de covardes, vão se lascar!
domingo, 15 de agosto de 2010
O dia em que vi o Ricky Martin no metrô
Como todas as miseráveis e impiedosas manhãs, estava no metrô me questionando sobre o porquê de eu não ter nascido com a cara da Adriana Lima ou o fato de não me casado com um jogador de futebol (rico e não assassino de preferência). Assim, acho que seria poupada de ter que acordar cedo todos os dias para enfrentar um frio miserável e viajar por quase uma hora rumo ao que considero o meu fracasso profissional: a empresa para a qual trabalho. Teria me atirado pela janela do trem com esse pensamento positivo logo cedo, se não fosse pela cara conhecida que avistei bem na minha frente...
Estava ali, pomposamente sentado, parecendo um príncipe vindo de um sonho distante. Lógico que não era o nosso gostosíssimo cantor portoriquenho gay Ricky Martin. Se leu até aqui pensando que o mesmo estaria dentro de um metrô às 8 da manhã de uma sexta-feira, em Buenos Aires, você só pode estar pirando. Mas não fique desiludida (o). O sósia, que bocejava diante à minha pessoa, era tão lindo quanto o cantor de EeeeeEPA, e não aparentava curtir homens. Não pela forma como me olhava.
Dizem que as coisas que acontecem na infância afeta, inclusive, sua vida adulta. Eu acredito nisso, porque sempre escutei os meninos dizerem que eu era feia e não seria naquele instante, diante do Ricky hetero, que mudaria de ideia. Enquanto ele me olhava comendo com os olhos, eu imaginava seguramente deve estar espantado com o meu cabelo multicolor, tinta desbotada, raíz preta e branca, lamentável. Ou, deve estar sentindo nojo dessas duas espinhas, quase bromélias, enfeitando a minha bochecha esquerda. Enquanto eu pensava nessas possibilidades, para o meu desespero, o moço decidiu olhar para o outro lado. Fiquei intrigadíssima! Ué, até agora gostava e só por causa de algum pontinho com pus vai deixar de me encarar? Não, não daríamos certo mesmo, esse carinha aí, só porque é um gato, acha que todo mundo tem que ser lindo também, superficial... muito superficial. Vivam os feios, esses sim têm personalidade minha gente!
O jogo inverteu. Naquele instante eu já não conseguia deixar de observá-lo. O mais dramático é que o cara não tinha nenhum cravo, unha comida, nada que pudesse me decepcionar. Era completamente lindo, gostoso, um tesão. Queria ser o objeto de desejo daquele infeliz. E infeliz eu oras, que comecei a fazer de tudo para chamar a sua atenção: tossi, tossi mais alto e mais alto ainda, sem efeito. Comecei a arrumar freneticamente os cabelos, jogá-los, fazer coque para virar o rosto num ângulo sexy, nada! O metrô inteiro me encarava com pena, porque o idiota sequer uma olhadinha dava. Nem de soslaio.
Saí do meu assento e fiquei em pé, encarando-o com o resto de dignidade que me restava. Faltava pouco para eu descer. Meti na cabeça que ele devia me olhar e eu tinha que cumprir a missão. Orgulho feminino ferido, pensei. Quando cruzava a porta de saída, arrasada pela derrota, olho para trás e o vejo cravar seus olhos em mim. Maldito, miserável, filho da putinha, vai ser gostoso assim nos infernos! Subi a escada rolante olhando para ele, quando se abriu pra mim mostrando aquela boca carnuda cheia de dentes, impecavelmente branquinhos. Indignada, fiz-lhe uma banana com os braços, as portas se fecharam e perdi a reação do meu Ricky Martin cover. Uma pena, pois adoraria ver aquela carinha linda completamente indignada ou, ao menos, devolvendo-me um sorriso, nem que fosse pra me dizer "sua babaca!".
Assim é o amor. Indigno, ridículo e cruel.
Estava ali, pomposamente sentado, parecendo um príncipe vindo de um sonho distante. Lógico que não era o nosso gostosíssimo cantor portoriquenho gay Ricky Martin. Se leu até aqui pensando que o mesmo estaria dentro de um metrô às 8 da manhã de uma sexta-feira, em Buenos Aires, você só pode estar pirando. Mas não fique desiludida (o). O sósia, que bocejava diante à minha pessoa, era tão lindo quanto o cantor de EeeeeEPA, e não aparentava curtir homens. Não pela forma como me olhava.
Dizem que as coisas que acontecem na infância afeta, inclusive, sua vida adulta. Eu acredito nisso, porque sempre escutei os meninos dizerem que eu era feia e não seria naquele instante, diante do Ricky hetero, que mudaria de ideia. Enquanto ele me olhava comendo com os olhos, eu imaginava seguramente deve estar espantado com o meu cabelo multicolor, tinta desbotada, raíz preta e branca, lamentável. Ou, deve estar sentindo nojo dessas duas espinhas, quase bromélias, enfeitando a minha bochecha esquerda. Enquanto eu pensava nessas possibilidades, para o meu desespero, o moço decidiu olhar para o outro lado. Fiquei intrigadíssima! Ué, até agora gostava e só por causa de algum pontinho com pus vai deixar de me encarar? Não, não daríamos certo mesmo, esse carinha aí, só porque é um gato, acha que todo mundo tem que ser lindo também, superficial... muito superficial. Vivam os feios, esses sim têm personalidade minha gente!
O jogo inverteu. Naquele instante eu já não conseguia deixar de observá-lo. O mais dramático é que o cara não tinha nenhum cravo, unha comida, nada que pudesse me decepcionar. Era completamente lindo, gostoso, um tesão. Queria ser o objeto de desejo daquele infeliz. E infeliz eu oras, que comecei a fazer de tudo para chamar a sua atenção: tossi, tossi mais alto e mais alto ainda, sem efeito. Comecei a arrumar freneticamente os cabelos, jogá-los, fazer coque para virar o rosto num ângulo sexy, nada! O metrô inteiro me encarava com pena, porque o idiota sequer uma olhadinha dava. Nem de soslaio.
Saí do meu assento e fiquei em pé, encarando-o com o resto de dignidade que me restava. Faltava pouco para eu descer. Meti na cabeça que ele devia me olhar e eu tinha que cumprir a missão. Orgulho feminino ferido, pensei. Quando cruzava a porta de saída, arrasada pela derrota, olho para trás e o vejo cravar seus olhos em mim. Maldito, miserável, filho da putinha, vai ser gostoso assim nos infernos! Subi a escada rolante olhando para ele, quando se abriu pra mim mostrando aquela boca carnuda cheia de dentes, impecavelmente branquinhos. Indignada, fiz-lhe uma banana com os braços, as portas se fecharam e perdi a reação do meu Ricky Martin cover. Uma pena, pois adoraria ver aquela carinha linda completamente indignada ou, ao menos, devolvendo-me um sorriso, nem que fosse pra me dizer "sua babaca!".
Assim é o amor. Indigno, ridículo e cruel.
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O dia em que vi o Ricky Martin no metrô
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Que mulher gosta de homem pobre?
Papinho informal no café da tarde pra tentar animar o Luis, que está em época de provas. Aliás, quando é que ele não está em época de provas? Então, ele comenta que já não aguenta mais estudar e me pergunta o que eu acharia se ele largasse a faculdade e se dedicasse ao mundo dos taxistas.
Te deixo, é óbvio. Minha sinceridade, bem taxativa e espontânea, causou um grande desconforto no meu parceiro. Fez bico, se juntou entre seus livros e ali ficou, todo amoado. Como sou bicho terrível, fui atrás.
É isso mesmo meu bem, veja lá se sou pra casar com taxista! Nada contra a categoria, mas...voilà, não domino 5 idiomas para ser mantida por um taxista. Saiu da cozinha com uma cara de "não acredito no que estou ouvindo". Voltei a repetir a minha ameaça, mas agora, com uma pergunta inquietante pra ele. Por que você acha que investi minha a juventude em você...?
Hipócrita é quem discordar de mim. Estou longe de ser classista, prova disso são meus estudos que são orientados para melhorar a condição social do planeta. Tampouco vou dizer que nós mulheres não devemos nos apaixonar e casar com homens de poucos recursos, não é isso. Mas que mulher não busca amarrar seu burro numa sombra farta e fresca?
Quando me apaixonei pelo Luis, o que mais me atraiu a ele foi seu jeitão filantrópico, socilista e bom moço. Claro, sua super inteligência, ser bem nascido, o fato de ter estudado em um excelente colégio, viajado a alguns países interessantes, ter uma ampla bagagem cultural, somou muito na hora de escolhê-lo como meu parceiro. Então, significa que você se apaixonou por mim interessada nos meus atributos?
Não, não foi bem assim.
Expliquei ao meu namorado que toda mulher escolhe seu parceiro observando alguns potenciais que a fará ter uma vida estável. Isso é biológico, vem desde os nossos ancestrais. As fêmeas escolhem os parceiros que lhe darão melhores crias; machos que poderão cuidar de sua família. Aqueles que podem prover uma boa casa, comida e segurança serão os melhores sucedidos na procriação, expliquei com todo o meu orgulho de bióloga que tenta provar que mesmo nunca tendo atuado na área, sabe alguma coisa.
Não funcionou muito não. O moço ficou ofendido mesmo, alegando que mesmo com toda a teoria seletiva, aquilo não era amor.
Homens! Por que sempre tão incompreensíveis?
Te deixo, é óbvio. Minha sinceridade, bem taxativa e espontânea, causou um grande desconforto no meu parceiro. Fez bico, se juntou entre seus livros e ali ficou, todo amoado. Como sou bicho terrível, fui atrás.
É isso mesmo meu bem, veja lá se sou pra casar com taxista! Nada contra a categoria, mas...voilà, não domino 5 idiomas para ser mantida por um taxista. Saiu da cozinha com uma cara de "não acredito no que estou ouvindo". Voltei a repetir a minha ameaça, mas agora, com uma pergunta inquietante pra ele. Por que você acha que investi minha a juventude em você...?
Hipócrita é quem discordar de mim. Estou longe de ser classista, prova disso são meus estudos que são orientados para melhorar a condição social do planeta. Tampouco vou dizer que nós mulheres não devemos nos apaixonar e casar com homens de poucos recursos, não é isso. Mas que mulher não busca amarrar seu burro numa sombra farta e fresca?
Quando me apaixonei pelo Luis, o que mais me atraiu a ele foi seu jeitão filantrópico, socilista e bom moço. Claro, sua super inteligência, ser bem nascido, o fato de ter estudado em um excelente colégio, viajado a alguns países interessantes, ter uma ampla bagagem cultural, somou muito na hora de escolhê-lo como meu parceiro. Então, significa que você se apaixonou por mim interessada nos meus atributos?
Não, não foi bem assim.
Expliquei ao meu namorado que toda mulher escolhe seu parceiro observando alguns potenciais que a fará ter uma vida estável. Isso é biológico, vem desde os nossos ancestrais. As fêmeas escolhem os parceiros que lhe darão melhores crias; machos que poderão cuidar de sua família. Aqueles que podem prover uma boa casa, comida e segurança serão os melhores sucedidos na procriação, expliquei com todo o meu orgulho de bióloga que tenta provar que mesmo nunca tendo atuado na área, sabe alguma coisa.
Não funcionou muito não. O moço ficou ofendido mesmo, alegando que mesmo com toda a teoria seletiva, aquilo não era amor.
Homens! Por que sempre tão incompreensíveis?
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Descansando a carcaça
Após dias duríssimos, estressantes, regados a antibióticos e visitas inesperadas de ambulâncias com médicos e injeções em mãos, afrontei as estatísticas de um recém pós aumento e ascensão laboral e tomei uns dias de férias, afinal, ninguém é de ferro. Fui literalmente ao cu do mundo. Interior mesmo, com direito a ficar engarrafada no trânsito pelo cavalo que empacou ou porque dois singelos caipiras desdentados decidiram que o cruzamento era o lugar certo pra botar o papo em dia...Se não fosse a terceira vez que chorava naquela cama, numa tentativa frustrada de clemência à médica que segurava a benzetacil na mão, estaria contente. Coisa boa a tal da licença médica. Dia de semana, após um feriado prolongado, ficar em casa por causa de uma gripinha seria uma ótima desculpa para botar o Godard em dia. Mas não, ele continuaria a me esperar como um bom francês no meu computador, porque, novamente, não era um mísero resfriado. Coisa séria, levei corticoide na bunda, com direito a ambulância ficar de plantão na frente do prédio em caso de urgência. Daria tudo para estar no escritório aquele dia, justamente porque a última vez que vi a cara do meu chefe foi quando ele escreveu a cifra da minha felicidade no papelzinho que ocupava um cantinho insignificante de sua mesa. Maldita garganta, amígdalas, febre. Já havia caído doente naquele mês três vezes.
Cheguei à casa de meus pais no fim de um sábado chuvoso.Veio minha irmã, pai e sobrinha me buscar na rodoviária. O amor da família é um santo remédio, e eu já me sentia praticamente curada do estresse, da dor de corpo e qualquer outra coisa ruim que habita em mim quando habito Buenos Aires.
Revi amigos, fui tia em tempo integral. Roubei milho na estrada, comi feito besta e até falar com o R puxado falei, sem remorso de haver nascido na cidade grande e preconceituosa com os sotaques como São Paulo é. Tomei banho de sol, fui na horta do seu Olando comprar couve e mandioca e andei de bicicleta com a minha irmã, onde passamos vários minutos tentando focar a nossa cara suada, o pôr-do-sol e o cemitério que descansava em paz logo ao fundo para publicar no Orkut.
Posso dizer que me recuperei a tal ponto de não querer mais voltar de onde vim. Abandonar o aumento, a ascensão, o namorado, a pós graduação, a cidade cool, o meu futuro, tudo. Queria ficar atirada feito bicho preguiça na rede e me preocupar apenas com o jantar. Ganhar dinheiro pra quê, se não posso desfrutá-lo como gostaria. Viver mesmo, vivem as pessoas do interior, entre o verde intenso e o canto dos passarinhos. Mas ilusão bucólica durou pouco. O meu eu capitalista foi mais forte e, mesmo chorando, sofrendo feito condenada, voltei pra cidade grande estrangeira.
Não foi difícil cair na dura realidade. A falta de educação, sorriso e cordialidade eram mais que um cartaz de "boas vindas". Era a minha realidade, não definitiva, mas era a vida que eu escolhi viver por enquanto.
Vi a cara do Luis, ansioso, já sabendo a tempestade que vinha pela frente - sofro muito com a readaptação. Abraço afetuoso, cambaleante, me aconcheguei entre seus braços e seu casaco e cachecol espalhafatoso. Ele me ajudou com as malas, pedimos o taxi, disse algo a ele e eis que surgiu uma louca que começou a gritar qualquer coisa sobre trabalho, ditadura e me ameaçando me atirou um saco gigante nas minhas costas. Se não fosse papeis o conteúdo daquele saco e a intervenção jediaca do Luis, a louca teria destruído a minha coluna. Enquanto ela berrava que eu não a faria trabalhar de forma alguma, refletia a ironia que é a minha vida. Enfim, em casa, pensei, já me preparando para uma recaída.
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