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domingo, 25 de abril de 2010
A irônica vida de um pensamento magricelo
O que acontece quando a gente perde mais de 3 quilos em menos de 2 semanas? Perdemos calorias, muitas calorinhas, gordurinhas indesejadas sim, muitas roupas também e junto, perdemos a dignidade. Com uma dieta forçada pela suposta celiaquia, descobri que perdi a minha dignidade. Digo isso porque sinto que foi inútil ter lutado por tantos anos por um corpão voluptuoso, até mesmo rechonchudinho (não é fácil ser magra em terras siliconadas e bundudas). Era do tipo que se orgulhava em repetir 3 vezes a refeição. Agora mais magra, o desejo de ser como uma pintura renascentista foi friamente assassinado pelo ataque massivo mediático, que finalmente me convenceu que devo ser magricela, assim como deus me fez. Juro que briguei contra a padronização estética imposta indecorosamente às mulheres, mas com vergonha confesso que não posso esconder a satisfação quase narcisista que sinto quando vejo diante do espelho o meu corpo mais esguio. Desbundado também, mas não importa. O importante mesmo é que terei que resistir e não mais comer um quilo de sorvete no meio da noite, ou Big Mc´s, cheesecakes durante à tarde (perto da minha casa tem 3 Burger Kings e 3 Mc Donalds. Sorveterias, já perdi a conta). Meu universo será as zero calorias, a dieta das notas, a balança da farmácia. Já sei, com isso o meu cérebro definhar-se-á e serei um corpo desnutrido, um esqueleto ambulante como essas carcaças sem vida que desfilam por aí. É a minha decisão para satisfacer a demanda de um ego enfraquecido, consequência da carência que meus valores sofrem. Mas não serei eu quem lutará contra este sistema. Unir-me-ei com o inimigo e assim serei até à próxima nova tendência. Ou até romper a suposta dieta.
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