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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ataque epilético? Não, é a Michele dançando!

Sempre morri de inveja das pessoas que dançam bem. Isso significa que tenho inveja de todas as pessoas e objetos existentes, porque até um ventilador se move melhor do que minhas cadeiras. Tento me consolar com a ideia de que o ballet clássico - praticado por 10 anos, prejudicou o meu desempenho e por isso, desde cedo, desisti da possibilidade de ser a nova "loira do tcham", declarando-me então, uma inimiga mortal do axé (coisa de gente invejosa, sabe como é).
Quando saio para dançar, sinto que sou um polvo no meio da pista: tenho tantos braços e pernas que não sei onde enfiá-los! A impressão é que tudo é desproporcional, excessivo. Acabo na companhia do copo e da garrafa que, sob o efeito etílico, me permite mexer os pés debaixo da mesa. Mas passar por isso em Buenos Aires pode ser ainda pior. Os homens, ao contrário dos brasileiros, não tem nenhum problema em rebolar. Fazem passinhos, vão até o chão e se sentem muitos machos fazendo isso. Homem que não rebola aqui, fica sozinho.

Cansada desse insucesso na dança, decidi por algo bastante extravagante: salsa e tango. A primeira aula foi uma catástrofe, pisei no pé de um dominicano, dei cotovelada numa potoriquenha e quase levo um soco de um paraguaio impaciente, pois este, teve a audácia de supor que eu estava zoando com a cara dele. "É o ballet clássico", tentei explicar, com um sorriso amarelo na boca.

Mas como sou brasileira e os nativos tupiniquins não desistem nunca, comigo não será diferente. Se o japinha pode e a sueca gorducha também, isso significa que não é tão impossível assim. Depois conto pra vocês como é que foi a aula de tango. Se é que até lá existirei pra poder contar...
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