Até que aquele dia não estava tão frio, segundo o que soube. Os deuses tem sido generosos com Guarapuava; diversas vezes morri de hipotermia naquele lugar, mas este dia não. Fazia calorzinho, até inspirou minha irmã a comprar um all star para a minha sobrinha Juju.
Para a nova aquisição, juntou-se três gerações: neta, mãe e vó. A mãe pensava no preço, a vó no conforto e o pequeno bebê, só Deus sabe. Sei que a pequena princesa foi certeira, entrou na loja e escolheu o modelo mais espalhafatoso: rosa e com lantejoulas. As mais velhas não concordaram com o modelo, mas quem disse que a pequena desistia? Agarrou-se ao objeto, fez birra, gracinha, ameaçou de se atirar no chão, até derreter o coração daquelas duas conservadoras.
Conseguiu: foi pra casa toda contente. Dizem que sequer tira o sapatinho para dormir e que até na banheira com ele ela quer entrar. Essa Juju...
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Conversa de pai e filho
Treinou dias para esta conversa:-Pai, tenho algo pra te contar.
- Algum problema meu filho?
- Não exatamante...
- Somos amigos, filho, confie em mim. Ou quer me deixar nervoso?
- Não é esta a intensão pai, fique calmo, é coisa boba.
- Fiquei, agora conte.
- Vou deixar a faculdade...
- Como? Você enlouqueceu? Deixar o penúltimo ano de engenharia assim, do nada? Existe algo que eu não sei? Meu Deus do céu filho...
- Nada disso pai. Só acho que me dou melhor com as letras. Quero me dedicar à literatura.
O pai respira fundo.
-Literatura... Tá gozando da minha cara? Literatura? Isso é coisa de viado e filho meu vai fazer é ponte e não livrinho pra madame ler! Mas era só o que me faltava...e o que é que você vai escrever? Desde quando sabe escrever?
- Não sei pai, posso escrever muitas coisas, poesia...
- Poesia? Filho, você é bicha? Bem que comentei com a sua mãe. Nunca entendemos o seu rompimento com a Carlinha...um mulherão. Aposto que foi por causa da poesia.
- Mais respeito comigo pai. Na verdade ela nunca apoiou os meus projetos. Aspiramos diferentes coisas na vida.
- Mais respeito comigo digo eu, oras! Onde já se viu, largar aquela gostosinha e a faculdade pra escrever rimas...
- Não são rimas pai, são poesias. E nem sei se terei jeito para a poes...
- Tá me chamando de ignorante? Pois então, não vai rolar rima, poesia, merda alguma. Você vai voltar é pra faculdade e pra Carlinha. E se eu ouvir essa história de literatura nesta casa novamente eu juro que te encho de porrada.
- Mas e se eu continuar estudando e dedicar-me à literatura ao mesmo tempo, pode?
- Hum...poder não pode. Já sei, com uma condição. Volte pra Carlinha, coma ela e a melhor amiga dela. Grave tudo com a sua webcam e aí eu te digo se pode.
- Mas pai, isso é monstruoso, desprezível!
- Desprezível é ter um filho viado. Ou é isso ou nada. Passe esse telefone que eu mesmo ligo pra Carlinha...Alô, Carlinha. Tudo bem querida, a Dora e eu também sentimos a sua falta. Só um minutinho que o Beto tem uma coisa importantíssima pra te dizer...
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