O dia está frio, nublado e você está sendo bombardeada por publicidades com casais apaixonados, que se beijam melosamente através de uma musiquinha irritante - que em qualquer outro dia do ano te faria levantar da sala, ligar o computador e mandar um email pornográfico a seus amigos. Mas hoje é diferente. Hoje não é um dia qualquer, é o dia dos namorados e você se sente no dever de se torturar com o fato de não ter ninguém para te abraçar, beijar ou presentear. Definitivamente, é a data perfeita para você se sentir um lixo, uma excluída e uma encalhada. Está morrendo de inveja das amigas que tem um jantar romântico marcado, uma camisa polo para dar de presente. Nem adianta olhar no seu celularzinho minha filha, seu ficante não vai te faz uma proposta de última hora. Você está perdida...
Mulheres! E aos homens também! Que coisa mais blasé ser vítima do consumismo. É óbvio que esta maldita data é para fomentar o comércio - tantos dos casais enamorados, quanto dos solteiros, pois os últimos, deprimidos, vão consumir horrores de chocolates, lencinhos de papel, filmes de comédia romântica e velas para o coitado do Santo Antônio, outra vítima do sistema. Tá certo, você vai dizer "tá falando isso, porque tem namorado". Sim, estou falando isso porque tenho namorado e pior, duas datas para "comemorar" (a do Brasil e a do resto do mundo, que inclui a Argentina). Então minha filha (o), sou doutora no assunto e digo com toda a autoridade que você é um felizardo e que nós, os "apaixonados", somos as verdadeiras vítimas.
Pensemos por outro ângulo: você já imaginou o saco que é comprar um adidas star wars com o motivo do mestre Yoda? ou ter que procurar um jogo "superbacana" para a Playstation? ou uma calsa que não lhe aperte as bolas? (e como é que você vai saber isso se não tem bolas?). E você marmanjão, sabe a merda que é enfrentar uma fila infinita para pagar apenas o presentinho da namorada, para depois ela te dizer que você errou no tamanho, na cor, na textura, na marca, que a este preço ela renovaria o guarda-roupa inteiro....Sabe? Não, não sabe.
Sinceramente, não sei o que acontece, mas quando se trata do dia dos namorados, parece que todo mundo enxerga a realidade sob a perspectiva do O Boticário ou das Lojas Marisa, com aquelas publicidades cheias de dengo. E a realidade não é provida de tantos amores não minha senhora (ou senhor). A realidade tem chulé, deixa as cuecas jogadas debaixo da cama e mesmo vivendo com você há mais de 3 anos, te pergunta se ao invés de ir ao restaurante italiano, se o delivery do Burger King não estaria de bom tamanho!
Tem, tem coisas boas sim. Mas elas não acontecem apenas no dia 12 de junho. Se o amor, se o cara (ou mina) que está ao seu lado for pra valer, as cenas boticarianas ou lojasmarisiana ocorrem em ocasiões menos esperadas, que é o que dá o verdadeiro charme na relação. Mas vai por mim, tudo tem a sua fase. A fase de estar sozinho, que defino de auto-conhecimento, depois a de conhecer alguém bacana - sem o compromisso de que ela seja a pessoa certa, e finalmente a fase de estar com a pessoa certa - que vai fazer você duvidar, delirar, até concluir que acertou no bingo. E a partir daí, é desfrutar as coisas bacanas que uma relação a dois proporciona, sem esquecer lógico, que as brigas, os desentendimentos, as diferenças de opinião também fazem parte dela.
Então, se está sozinha (o), deixe de lado essa melancolia toda. Aproveite a fase em que está. Liga para os amigos, abram uma cerveja bem gelada e festejem a vida por si só. O comércio cervejeiro agradece e eu também, pois não aguento mais ler essas mensagens de gente encalhada pelo Orkut, Facebook, Twit...
